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POLÍCIA
Briga
de Beethoven e
Nhô Cursino acaba (com
um ferido) na delegacia
Por
Leovegildo Peraccino
O
músico aposentado Giuseppe Pesci Aiello, de 62 anos, a
overloquista Clotilde Cursino Belalva , de 49 anos, e o empilhador
Severiano Damião, de 43, foram protagonistas de uma discussão,
seguida de tapas e pontapés, ontem à tarde no conjunto
residencial onde moram, na Estrada do Meio Contorno, sem número.
Segundo
a reportagem apurou com os moradores, a rivalidade vem de longe
entre os dois. Ultimamente, o músico, que não ouve
muito bem, começou a tocar discos antigos com o volume
muito alto, incomodando todo mundo no prédio, ela mais
ainda, que mora no apartamento ao lado. Fanático por Beethoven,
Aiello, que tocava fagote na orquestra municipal, já foi
alvo de várias queixas por parte dos moradores, que levaram
o caso ao síndico, mas nada foi feito, segundo o depoimento
da overloquista ao delegado Alessandro Rinaldi. Ele gosta de ouvir
os discos nas tardes de domingo, com som muito alto, e Clotilde
quer ver seus programas de TV e não consegue.
"Besteiras"
Ontem pela tarde, não suportando mais o barulho, ela decidiu
dar o troco e botou um CD de Nhô Cursino com o som ainda
mais alto. Começou o bate-boca, gritos e xingamentos e
o vizinho de cima, Severiano Damião, quis apaziguar os
ânimos. Desceu para o andar inferior e caiu na asneira de
dizer que estavam incomodando todo mundo e brigando por causa
de besteiras.
"Você
é um ignorante, chamando Beethoven de besteira", esbravejou
Aiello indignado. Por sua vez, Clotilde se enfureceu pelo mesmo
motivo e insultou Damião, pois Nhô Cursino, já
falecido, era genitor dela. Seguiu-se nova discussão, os
três se pegaram a tapas e pontapés, a polícia
foi solicitada ao local e todos foram levados para o distrito
pelos investigadores Afonso Bedoya e José Torvay .
Prejuízo
Depois
das explicações de praxe e as queixas registradas
pelo escrivão Paulo Falcão Maltese, eles foram liberados,
não sem antes levarem uma descompostura do delegado Gaspar
Gutman.
Damião,
que trabalha como empilhador num depósito de material de
construção, acabou levando a pior, com diversos
arranhões no rosto, um dedo quebrado e a camisa rasgada.
Mas ainda teve bom humor para comentar com este repórter
na saída: "O prejuízo foi meu, que não
tinha nada com o peixe, e o diabo é que não conheço
nenhum dos quatro".
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