Um caipira ladino
Um dos melhores chargistas
brasileiros, de fama
internacional, com charges publicadas nos principais
jornais do mundo, Nicolielo
tem um único lado sério, o
nome Antonio Carlos Nicolielo. Natural de Novo Mundo, interior de São
Paulo, a idade ele não diz, por questão de princípio,
isto é,
seu princípio no mundo foi há tantos anos que se recusa a revelar.
Escapou de ser advogado, apesar de ter estudado Direito,
e caiu moço ainda na vida de fazer graça. Foi chargista,
capista e ilustrador das
principais publicações
brasileiras, conferencista em universidades e foi escolhido
em 85 por especialistas
europeus como um dos mais importantes do mundo, junto
com Millor Fernandes.
E não é só: fez exposições no
Masp, tem obras em alguns
dos principais museus internacionais, de Bonn ao
Cairo, e é contratado do Cartoonist & Writers de
Nova York, que publica suas charges em mais de 150
jornais do mundo todo.
Apesar de currículo tão importante, aceitou logo o convite para
colaborar com o Sacolão Brasil. "Já me ofereceram tantas
vezes crescer com empresas que mais uma tentativa não vai fazer diferença",
ele explica, com humor característico.
Por trás do humorista de fama internacional, ele tem também
um lado regional, mais do que isso, interiorano. Nicolielo
pode ser definido como
"caipira ladino", isto é, aquele tipo que se faz de inocente
e bobo, mas sabe tudo, lê tudo e enxerga mais longe que a gente. Há
10 anos refugiado na beira do Pantanal de Mato Grosso do Sul, baixou por lá
inspirado em Humphrey Bogart, que foi para Casablanca em busca das águas,
que não existem
naquele deserto.
O motivo de Nicolielo foi o mesmo, e logo achou o que procurava: água
pura e
cristalina, mas para
botar no uísque.
Mas chega de conversa e vamos às charges de Nicolielo.