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Turma
do riso
derrotada pelo
estresse da rua
Por
Gaudêncio Rinnel
Rinovaldo
Paixão, que em 1998 criou o Esquadrão do Riso, com
o sonho de espalhar pela cidade humor e otimismo, está
encerrando a atividade do grupo após o que ele define como
"uma derrota para o estresse e o mau humor da vida moderna
na metrópole".
Aposentado
há três anos, Paixão, de 70 anos, ficou famoso
como o palhaço "HáHá", que interpretou
durante 40 anos,em circos, filmes e programas de televisão.
Ele conta com orgulho que participou do Festival Internacional
do Humor Circense, em Chamer Alt, Israel, em 1959, quando tirou
o terceiro lugar, entre 150 palhaços de todo o mundo. Participou
de 13 filmes brasileiros e um venezuelano, até que se aposentou
em 97.
Fracasso
A
inatividade acabou por aborrecê-lo e um ano depois, em conversa
com o estruturalista, sociólogo e sambista Irineu Gaston
Sorrentine, teve a idéia de criar um grupo de ex-palhaços
e amigos que "sairiam pela cidade contando piadas e tentando
fazer a população dar risada e esquecer, ainda que
por minutos, os problemas do seu dia-a-dia. Além de levar
o humor para a rua, nossa idéia era sair da inatividade,
que estava me matando".
Em
uma semana, Paixão conseguiu um patrocinador, a adesão
de vários amigos, aposentados como ele, dos quais oito
haviam sido palhaços, e assim nasceu o Esquadrão
do Riso.
Paixão conta: "O início foi um sucesso. Eu
e os palhaços Gargarejo, Congressinho, Vereança,
Favela e Pegafogo saíamos pelas ruas contando de tudo,
piadas velhas e novas, brincando e provocando a população.
Mesmo nas horas do rush, todos paravam, davam risadas com as piadas
e brincadeiras, e até aplaudiam".
Durante
bom tempo, tudo correu bem, até que a coisa mudou para
pior, segundo Paixão. Além de quase hostilizado
pelo povo, faltou verba para manter a equipe. Então, depois
de tirar dinheiro do bolso, que a gente não tinha, para
pagar as despesas, decidimos acabar com o grupo.
Cara
feia
"Não
sei o que aconteceu com o brasileiro de uns quatro anos para cá",
desabafa."De uma hora para outra, a gente da rua passou a
não achar a menor graça no que fazíamos.
Cheguei a pensar que o nosso humor estava ultrapassado. Talvez
a gente tenha ficado velha e perdido a graça. Pode ser.
Mas acho que o brasileiro está cada vez mais zangado, preocupado
e sem humor.Também não é pra menos, a barra
anda muito pesada".
Apesar
do fracasso da iniciativa, Paixão não perde o otimismo
e garante que não vai ficar inativo, e diz, brincando:
"Se o povo não gostou das nossas piadas, vamos levar
para a rua cara feia e mau humor. Quem sabe não vão
achar engraçado".
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