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ECONOMIA
Da
série "Por trás da carestia"
Segmento
de renda alta
denuncia custo de vida
Por Beraldo Kolbasse
Editor
do Nível Econômico
Jasão
Vidal Abord, 54 anos, cuja única fonte de renda é
proveniente de imóveis na zona sul da Capital, assegura
que, em duas décadas de freqüentador assíduo
da noite, jamais presenciou tantos aumentos no preço de
alimentos e bebidas.
"É mentira a gente do governo afirmar que a elevação
dos preços acompanha a inflação", desabafa
Jasão. "Mentira, mentira, mentira", faz questão
de repetir, indignado.
Enumerando variados patamares de altos e baixos nos preços,
ele dá um exemplo. "Dois meses atrás, eu, minha
mulher e dois casais amigos estrangeiros desfrutamos no restaurante
Not For All de um jantar que eu definiria como relativamente frugal.
Nada de excepcional, além do vinho australiano. A conta
que nos apresentaram foi R$290.00. A semana passada, com o mesmo
número de pessoas e em restaurante de patamar pouco inferior,
mas vizinho do outro, gastamos algo em torno de R$ 385,00 . Um
absurdo", ele desabafa, e questiona: "Que diabo de inflação
é esta, que para o governo é irrelevante e está
sob controle e para nós, brasileiros, é muito, muito
mais alta?"
Estopim
Com a consciência alerta de quem, a despeito de sua posição
social e econômica, em segmento bem acima da média,
e, apesar disso, não ignora o problema social brasileiro
e as dificuldades enfrentadas pelas camadas de renda não
tão folgada como a sua -- Jasão faz um alerta: "Não
por acaso, o desnível social em nosso país vem aumentando
e provocando tanto desassossego. Sem falar na corrupção,
que virou epidemia. E, Deus permita, não seja o estopim
de algo mais sério e sangrento", ele arremata, com
voz grave e feição preocupada.
A
seguir: Como vivem um ferroviário, sua mulher e 6 filhos
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