Meus três queridos amigos

Antes de narrar a minha história de hoje, uma explicação ao leitor. Na última coluna prometi contar a história do senador, a lingerie e o pote de maionese. Lembram-se? Pois é, vou ter que adiar mais uma vez, pois o senador, velho cliente e amigo, me pediu de joelhos que não revelasse o episódio, pois seria facilmente identificável, mesmo que eu use pseudônimos. Ele me confidenciou que já se envolveu inocentemente em caso semelhante, anos atrás, quando ainda não era senador, e um jornal de escândalos revelou tudo nos mínimos detalhes, inclusive seu nome. Em atenção à minha amizade com o senador, homem generoso e mão-aberta, deixo o caso para outra ocasião. Sorry.

Hoje vou contar uma história sobre três dos meus melhores amigos na noite. Mas terei que usar seus pseudônimos, pois dois pertencem a tradicional família da nossa sociedade. São os travestis Fast Food e Alacarte, entre as figuras mais educadas e cavalheirescas que eu conheço. O terceiro, de origem humilde, mas um doce de pessoa, não por acaso tem o apelido de Intolerância Zero.

Semanas atrás, nos convidaram a uma festa GLS, numa rica mansão da zona sul, e lá fomos nós quatro usando nossos melhores vestidos. Fomos recebidos na entrada pela simpática anfitriã, que fez questão de cumprimentar um a um. Quando ela estendeu a mão para o Alacarte, ele escondeu o rosto, deu um grito agudo e saiu correndo, para espanto de todos.Pegou um táxi e sumiu e só fomos achá-lo na noite seguinte no nosso ponto de sempre. Nem precisamos perguntar nada, ele foi logo se abrindo: "A dona da festa foi minha noiva. A gente estava de casamento marcado e tudo. Mas eu saí do armário antes e a abandonei dizendo que tinha me apaixonado por outra. Imagina se ela me reconhecesse!"