O cinema de ontem e hoje

Minha velha amiga Clara Mied me envia uma calorosa e sentimental carta para, entre outras coisas, perguntar se tenho ido ao cinema e o que recomendo para ela assistir.

Querida Clara, quantos anos se passaram desde aquele nosso alegre e não tão inocente corso no Carnaval de 46! Lembra-se? Bons tempos, não? Mas vamos a sua pergunta. Com tanta violência e tantos perigos nas ruas, raramente saio de casa hoje em dia. Ainda mais tendo ao nosso dispor esse aparelho notável intitulado vídeo-cassete. Tenho alugado filmes antigos (os maravilhosos, do nosso tempo), e até mesmo alguns bem recentes. Destes, recomendo sem hesitação e com muito entusiasmo a você: "Nosso Amor de Ontem", com aquele pedaço de mau caminho, o Robert Redford (como ele me lembra nosso ídolo dos tempos de mocinhas, Sonny Tufts, não acha?), e a hilariante comédia "Se Meu Fusca Falasse", este, puramente como diversão. Beijos da velha amiga. Escreva sempre.

Faço questão de contar para minhas leitoras e meus leitores (espero ainda tê-los) como foi minha quinta-feira. Uma inesperada e inesquecível data para mim. Era um daqueles dias em que nada promete acontecer, de manhã fria e brumosa. Até que soa a campanhia de meu telefone e, do outro lado da linha, uma voz conhecida e amigável grita meu nome: "Santinha, sua doidivanas!"

Como aqueles que me conhecem sabem que de doidivanas pouco tenho, perguntei um tanto quanto curiosa quem era. A gargalhada espontânea e ritmada acabou com o mistério. Era Vicentina DellVerde, amiga de tantos anos, de inesquecíveis saraus musicais e literários. Num deles, a propósito, conheci meu falecido marido, Bartolomeu.

Bem, para não estafar ninguém, vou direto ao ponto. Vicentina havia ligado e me convidou para... Adivinhem o que? Um sarau lítero-musical-gastronômico! Em pleno 2000, imaginem! Um sarau como dos bons tempos! Entre as atrações, poemas de Alcinino Ovídio, Olavo Bilac, Jean-Paul Marteau, Klaus Gurke e meu predileto, Farcha Tavuk. Claro que aceitei imediatamente. Tenho certeza que meus queridos e pacientes leitores fariam o mesmo, não?