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Quase
tragédia no
amor pela tomografia
Normalmente
tranqüilo, com suas ruas arborizadas e população
de classe média, o bairro Ladeirinha, zona sul, foi ontem
o palco de uma história de amor que por pouco não
se transformou em tragédia.
O escriturário Zozimar Mindel Lima, de 28 anos, teve mais
uma de suas crises de ciúme com a namorada, Zélia
Conceição Alvor, de 26. Cansada de tantas brigas,
num namoro que começou o ano passado, ela decidiu romper
de vez com Zozimar, mesmo tendo marcado o noivado para o final
do ano.
Inconformado com a decisão, que lhe pareceu definitiva,
ele subiu até o último andar do prédio onde
funciona o Hospital Aparecida Malvina Vianna, abriu uma janela,
postou-se na beirada e ameaçou se matar, atirando-se lá
de cima. Segundo testemunhas do andar onde estava, Zózimo
gritava "Zélia não me quer! Zélia não
me ama!"
Todas
as tentativas de agarrá-lo ou convencê-lo a não
se jogar não deram resultado. A essa altura, a rua estava
tomada de curiosos e o trânsito congestionado. Por fim,
decidiram chamar a namorada para ajudar. Ela subiu até
o andar onde Zozimar estava, chegou até a janela e pediu
para ele entrar, acrescentando "Eu te amo, Zozi, esqueça
nossa briga". Mas ele não se convenceu, dizendo que
ela não o amava, era apenas um truque. Todas as tentativas
da namorada e de outras pessoas foram em vão. Ele ameaçou
se atirar duas vezes.
Descoberta
Então,
o médico Albino Avelar Garino, que se encontrava próximo
da janela, se lembrou de uma descoberta recente divulgada na Inglaterra,
que diz que o amor verdadeiro pode ser detectado por meio de uma
tomografia. De alguma maneira, o médico convenceu Zozimar
a esperar a prova científica de que Zélia o amava
de verdade e levou-a às pressas até uma sala, onde
fez uma tomografia e voltou de lá com uma foto do resultado.
E disse: "Veja, essa cor vermelha é a prova do amor
dela por você". Desconfiado, Zozimar aceitou olhar.
Em vez de se alegrar, começou a chorar e a gritar furioso:
"Seus mentirosos, falsos, querem me enganar! Essa foto é
a prova! A cor aqui é marrom, amor coisa nenhuma"
E soltou uma das mãos para se atirar.
Foi
então que, mesmo em pânico, a namorada se lembrou
de um detalhe: Zozimar é daltônico, não enxerga
ou troca muitas cores. Depois de uma longa explicação
conseguiu, em prantos, convencê-lo a não pular. A
quase tragédia, que durou mais de duas horas e abalou a
tranqüilidade do bairro, acabou num final feliz, com os namorados
abraçados, chorando e rindo muito. (Zoraide Meira)
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