Religioso diz que
Deus é seu sócio

Por Antero Botti

Salvador Emanuel Pennaggi , líder da seita Salve o Mundo Pela Reza, aguarda apenas o resultado da auditoria para fechar aquisições, no total de R$ 964 milhões, envolvendo cinco salões de forrós, duas distribuidoras de automóveis, oito motéis,quatro cinemas e uma cadeia de lojas de pizza delivery. As negociações, que já duram cinco meses, devem se concretizar no máximo até o fim desta semana, de acordo com Pennaggi, que afirma ser "um homem de sorte por ter Deus como sócio nos negócios".

Segundo ele, já se foi o tempo em que seitas religiosas ficavam restritas a pequenos salões em bairros afastados, reunindo, a duras penas, seu pequeno rebanho de fiéis, que tinham outros interesses e distrações, mais interessantes que a fé."O mundo mudou", garante o líder da seita. "E vai mudar ainda mais. Para tudo é preciso chamar a atenção do público, com todas as armas e atrações imagináveis, por que a religião e a fé seriam diferentes?"

Concorrência

Fundada há pouco mais de um ano, numa garagem nos fundos de uma fábrica na zona sul, a seita Salve o Mundo Pela Reza foi a que teve maior crescimento entre as 148 da Capital. Começando com um pequeno grupo de adeptos, a maioria familiares e amigos de Pennagi, ela conta hoje com 22 mil adeptos e um patrimônio considerado "espantoso e suspeito" por outras seitas.

O religioso, que é também vereador, não liga para as críticas e acusações, diz apenas que "há lugar para todos neste mundo, basta ter fé, fiéis e Deus como sócio".

Sem preconceitos, garante que religião é negócio como outro qualquer, "desde que feito com fé e honestidade. Tudo o que eu pretendi foi eliminar a concorrência. Muitos fiéis deixavam de vir à igreja para dançar forró, ir ao cinema, aos motéis e às pizzarias. Então, fiz o óbvio: comprei todos eles". Quanto às distribuidoras de automóveis, Pennagi tem uma explicação simples: "Vou vender carros aos meus fiéis por preços nunca vistos no mercado".