Camisinha não funcionou

Uma carta enviada a esta coluna no ano passado e só agora recebida, revela um fato grave sobre a ignorância do sexo e a falta de orientação por parte do governo. Inivando Jatobá, chefe do posto médico da cidade de Ingazeira, na Amazônia, conta o que aconteceu: "Para orientar nossa população mais carente e reduzir o alto índice de natalidade, resolvemos exibir em vários bairros pobres o vídeo "Sexo é Bom, mas Devagar", oferecido pelo laboratório canadense Jackson & Jackson, no qual se mostrava a vantagem de se usar preservativos fabricados pelo patrocinador.

Conseguimos mostrá-lo em dezenove centros e clubes da região, com público grande e atento. Mas qual não foi nossa surpresa quando, dez meses depois, o índice de nascimentos naquela região se manteve alto como sempre e em alguns casos ultrapassou a média. Será que o vídeo não adiantou nada?" Jatobá prossegue na carta: "Depois de muito matutar e entrevistar dezenas de mães grávidas e seus maridos, descobrimos o que aconteceu. No vídeo, o apresentador demonstrava como usar o preservativo, enfiando-o em três dedos da mão, em vez de no...a senhora sabe aonde. Os maridos levaram a sério e à risca o exemplo do vídeo e usaram as camisinhas nos dedos na hora de fazer sexo! O que a senhora acha disso?"

O que eu acho é aquilo que venho pregando na minha coluna há anos: nada supera o sexo explícito, seja na nossa cama ou em vídeos educativos.

(* Madame Clean foi eleita pela revista alemã "SexFallschirm" a Colunista Sexual do Ano)