| Durvalina
afirma que corrupção teria fim
com os cangaceiros
Por
Maribela Cykel , enviada especial ao Nordeste
Durvalina
Rosineida Lima, filha de Jovelino Penafiel, um dos mais famosos
cangaceiros dos anos 30, conhecido como Sete Facas, é de
opinião que se os cangaceiros voltassem, as eleições
no Nordeste seriam bem diferentes. "Cabras safados, principalmente
os políticos", ela afirma, "não iam só
morrer de medo mas de verdade mesmo, porque cangaceiros como o
meu pai eram gente de verdade, tinham honra e vergonha na cara
e só faziam mal para aqueles que exploravam os pobres e
miseráveis".
Aos 68 anos, Durvalina vive, segundo brinca, de "renda da
renda", no lugarejo de Mato Dentro, sertão do Seridó,
ganhando pouco mais de 80 reais por mês, ajudada pelas filhas
e pela cunhada, numa lojinha de toalhas e outros artigos rendados.
Adversária do atual prefeito, Juvenil Caribé Souza,
que, segundo afirma, seria um dos muitos políticos do lugar
que receberiam uma "visitinha" do Sete Facas, "pra
acertar muitas contas". Ela conta que o pai e os outros cangaceiros
do bando chegavam nos povoados e a primeira coisa que faziam era
dar alimentos para os pobres e depois perguntavam como eram tratados
pelos políticos e coronéis.
"Se diziam que eram maltratados ou explorados pelos mandões,
virge mãe, coitados deles. Uma vez, aqui mesmo em Mato
Dentro, o bando do meu pai soube das sujeiras do prefeito, foi
até a casa dele, tirou ele lá de dentro, peladinho
do pé à cabeça, tacou melado no corpo, encheu
de pena de galinha e mandou ele ficar cacarejando na frente de
todo mundo. No dia seguinte, o cabra sumiu e nunca mais voltou".
Com posições muito próprias, Durvalina diz
que não existe lei na maioria do sertão, muito menos
em sua cidade. A solução, segundo afirma, seria
trazer de volta os bandos de cangaceiros como o do pai. "Aí,
seu moço, era só prefeito e político no meio
da rua cacarejando feito galinha".
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